sábado, 14 de outubro de 2017

Poesia morta







Poesia morta

Versos caíam ao chão.
Minha poesia encharcada
Caída da minha mão...

Morreu minha poesia
E morreu naquele dia
Pelo sol iluminada

Restou somente a saudade

Do que fora minha verdade


Jane Moreira


Vergonha






Vergonha

Tenho vergonha de me mostrar
Como sou e penso por inteiro.
Não vou revelar m
eu eu verdadeiro.


Não me exijas,
Não me descomponhas,
Não me deixes nua.

Se a culpa foi tua, não me exponhas!

Não vou me mostrar!

Jane Moreira



Pássaro ferido




Pássaro ferido

Apagaram-se as luzes na noite vazia.
Amigos e amores se foram, alegria perdida...
Corrompida ficou minha poesia
E assim ficou minha alma ferida.

É hora de refletir... Amigos foram embora...
Não mais tapete vermelho, nem espelho.
Jogo fora meu batom, dor se instala agora...
Prendo meus cabelos, não quero conselho.

Não quero mais festas, nem mais serestas.
O silêncio da solidão é o que me resta.
Pássaro ferido, asa quebrada, ego no chão.

Não quero meus versos, agora inversos.
Espalhados e mixados em versos diversos...
O pássaro ferido, fechou-se na gaiola-prisão


Jane Moreira


Refletores apagados (baseado no poema Pássaro Ferido, de minha autoria também)








Refletores apagados

É hora de refletir...
Amigos se foram.
Galanteios, nunca mais.

Ela prende os cabelos,
Não mais espelhos,
Jogou fora o batom.

Contempla os jovens a cantar e dançar

E sente sua juventude a lhe afrontar.


Jane Moreira




O amor é coragem






O amor é coragem

Se estou aqui a te prometer
Minha vida, meus pensamentos;
Se não sei se vais me ouvir,
Se vais me querer, como eu te quero;

Se meu eu está abalado, conturbado,
Na humildade, na fragilidade
Deste amor  intenso e poderoso...
É porque ele me dá coragem.

É a força que me anima,
Que me impulsiona e sublima,
Que faz cada palavra, cada gesto,
Sair de mim e encontrar você;

Capaz de me deixar à mercê
De um golpe de protesto,
Ou de ternura, um lindo gesto.
Corajosa, então, me faço e me entrego...


Jane Moreira



Caminhada da vida





Caminhada da vida



Caminho sempre em frente
Obediente, paciente,

Eu vou sem pressa...
Às vezes depressa...

Eu me assumo
Sou sem rumo

Sem norte,
Sem passaporte.

Chego à encruzilhada...
A freada, já pensada...


E, nessa empreitada, na madrugada,
Olho para o céu dessa estrada.

É a noite morrendo, o dia nascendo,
E eu só escolhendo... E encolhendo...

Jane Moreira