terça-feira, 25 de outubro de 2016

Paradoxo


Mote:
Quero-te só porque a ti te quero,

Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.''


Pablo Neruda




Paradoxo

És o sol que me aquece
E a manhã fria de neblina.
Amo-te pelo calor que me ofereces,
Odeio-te pelo frio que te domina.

Amo-te se estás distante de mim,
A argola que me fere é a luz que me guia...
E eu amo e eu odeio amar assim,
Sem medida, sem alegria.

Eu não te quero tão junto a mim;
Se ficasses, eu, certamente, te odiaria.
Eu te quero bem longe de mim.
Aí sim, amar-te cegamente, eu poderia.

Jane Moreira



Rasgos e Remendos





Rasgos e Remendos

Meu enredo
É somente o medo
De rasgar minha alma.
Me perco quando me rasgo...
Mesmo rasgada, eu me benzo
E uma luz acendo...
E meu anjo faz o remendo...

Faço rezas e promessas,
Tentativas de cura e me culpo
E me castigo... E volto a alma rasgar,
Para depois meu anjo remendar...
É o remendo do irremediável...
E me perco nos parcos instantes,
Entre o breu e a luz dos remendos.

Na esfera que habito,
Vislumbro a fresta de luz
E tento me salvar inteira,
Reparando a costura costumeira,
Pobre e triste remendo de mim.
E segue remendada esta alma até o fim,
 Porque viver é luta, rasgo e remendo sim.


Jane Moreira