quarta-feira, 15 de outubro de 2014

De poetas e poesia

De poetas e poesia

Diz o poeta
O que lhe vem à mente,
Sem pudores, sem censuras,
Como se fosse o arrebol,
Que não pede licença;
Como se fosse o rouxinol,
Que canta sem ensaiar;
Como se fosse o sol,
Que nasce sem se explicar.
O poeta
Solta sua poesia intensa,
Sobre o papel que espera
Pacientemente ser possuído
Pela tinta em sua mão,
Que pinta, em forma de verso,
Aquarelas de emoção,
Acima de regra ou razão.


Jane Moreira




Sem saída



Sem saída
Como num barco à deriva sem saída,
No inóspito deserto de mim mesma, sinto,
Numa estrada que, agora sei, ser só de ida,
A vida que se escurece e eu me absinto...

No limite de mim mesma, sem norte,
Na estrada que só vai me levar ao infinito,
Nada mais espero ou quero, senão a morte
Da estrada sem volta da qual me demito.

Como se fosse o amor a me acenar,
Chego a sentir a doçura de me entregar
Ao extremo carinho, à extrema vontade...

E porque é esse sonho a me embalar,
Sinto bem mais perto de mim a liberdade
E me entrego, eu que agora sou suavidade...

Jane Moreira