quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Eu, Poeta...







Eu, Poeta




Posso compor poemas, minha morfina,
Na solidão de quem muito imagina; 


Nos versos que componho sou sofrimento,
Mulher, homem, solidão contentamento.

Meu verso é a falsidade que respira,
Ou a verdade que parece mentira.

Posso usar o caminho torto, a contramão,
O inverso do verso, o avesso da razão;

Posso chorar versos mentirosos, imaginados,
Versos atormentados, tristes, inventados

E ser mais eu ou menos eu na poesia.
Eu, poeta, posso ser mera fantasia.

A mente do poeta não repousa
E a escrever se vicia e a muito ousa.

Posso intrigar-me em teias
E sem dó, esvaziar minhas veias.

E posso imaginar a esvoaçante borboleta,
Que embeleza e imprime a marca do poeta. 

Sou poeta mentirosa
Tanto em verso, quanto em prosa.

Jane Moreira







Ilusão



Ilusão

Eu guardei uma boneca
Do tempo de eu menina...
Também o anel que tu me deste
E que era de platina.

Guardei as cartas
Que me escreveste um dia
E a nossa melodia...

A aliança do casamento,
Os retratos de uma vida inteira
E aquela velha carteira...

Todas essas recordações
Não são minhas, nem são tuas.
São apenas ilusões.

Que, de nós, depois de nossa partida,
Aquele terno, o vestido de noiva e o violão,
A boneca da menina e a carteira amarelecida,
Emprestados nesta vida, eternos jamais serão.

Jane Moreira