quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Paradoxo






Paradoxo

És o sol que me aquece
E a manhã fria de neblina
Amo-te pelo calor que me ofereces
Odeio-te pelo frio que te domina.

Amo-te se estás distante de mim
A argola que me fere é a luz que me guia
E eu amo e eu odeio amar assim
Sem medida, sem alegria

Eu não te quero tão junto a mim
Se ficasses, eu, certamente, te odiaria
Eu te quero bem longe de mim
Aí sim, amar-te cegamente, eu poderia.


Jane Moreira


Silêncios e sussurros


Mote:...
o pássaro brinca entre uma nota de assobio
e um sopro de vento.
a borboleta adormece — encantada.
(...)
para haver paz
há que caminhar silêncios.

Ondjaki





Silêncios e sussurros

Silêncio. Dormem os pássaros nos ninhos?
Meu bosque ficou tão sereno de repente...
Que ouço o ruído do silêncio em tom crescente.
É preciso toda essa paz para ouvi-lo;
É preciso estar desperto para senti-lo
E a ele se juntar...
A paz invade minha alma
E por toda a parte se instala a calma...
Os versos vão chegando devagar,
Entre um sopro de brisa errante
E um trinar distante.
Contemplo o farfalhar das folhas,
Que agora resolvem dançar tremulantes,
A convite do vento... E me deixo levar
Pelos sussurros das folhas, pela brisa acariciante...
Esse intercâmbio de paz com o bosque
Poderia ser um pouco do mundo Ideal,
Que para o bosque é natural...

Jane Moreira