quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Dias cinzentos






Dias cinzentos...

Em dias cinzentos, a saudade, sem alento,
Aperta meu peito e, ao espelho,
Surge meu rosto desfeito.

Cai a chuva devagar, sem alarde....
E o céu de um cinza escuro
É prólogo do meu futuro.

E tua presença, nos meus sonhos,

Retarda o momento de recomeçar a viver.



Jane Moreira






Pedaços no espaço





Pedaços no espaço


Em algum lugar do espaço,
Repousam pedaços,
Que se romperam,
Ou que de mim se perderam...

Em algum lugar do universo,
Há de estar algum verso,
Perdido no infinito...
Fragmentos em conflito...

Pedaços que, unidos,
Seriam uma Fênix retorcida,
Nascida das cinzas perdidas,
E lançadas na imensidão...


Jane Moreira








Carpe Diem III






Carpe Diem III


Menina, como as flores que seguras,
Um dia também murcharás, é fatal.
Vive intensamente tua doçura,
Tira a trava desse olhar de cristal.

Esse teu olhar contemplativo
É cúmplice do tempo e da rotina.
Não te entregues, não te faças cativa,
Segura o dia, Carpe Diem, menina.

Quero ver-te amar, sorrir, ser amada,
Vive tua vida um dia de cada vez,
Até o último trecho da estrada.

Jamais te entregues ao não e ao talvez,
Assim será mais leve tua jornada.
Sorri e afasta essa tua timidez.

Jane Moreira










Transparência






Transparência


Olhos
Espertos, vorazes,
Duvidosos, porém, sagazes,

São os teus olhos
Profundos e nebulosos,
Olhos que podem ser poderosos...

Se me perco nas águas turvas
Desse mar, nem Netuno
Poderá me salvar.

Coração sabe ler nas entrelinhas...
Essa prerrogativa, que não é só minha,
É a dádiva que adivinha sem enxergar.

Meu coração enxergou de antemão:
Minha alma não anseia pela tua,
Porque já a anteviu nua...


Jane Moreira


Tempo perdido *Indriso*

Mote:
E embora o amor destruído
E o tanto que se sofreu
O tempo não foi perdido
A gente é que se perdeu
Mário Lago




Temo a certeza
De saber que não temos defesa
Contra o tempo que vem nos julgar

Eu não faço segredo
Do nosso medo
De não podermos mais consertar

Perdida foi a paixão desvairada,  sem rumo,

Que nos perdeu na vida fora de prumo.

Jane Moreira






SOS






SOS
Amor, símbolo do bem ideal
A matéria prima do ser, doação,
Missão, destino ou entrega total,
Vem, preenche esse meu tolo coração...

Vem, nem que seja em forma de ilusão,
Vem como o dia que à noite se inicia,
Rompendo o invólucro da escuridão!
Vem, alvorada de paz e alegria!

Apostei na sorte, sem direção
E foi o breu quem me fez companhia,,,
E a treva, então, foi a minha prisão...

Só o amor, vai me salvar da agonia
E libertar-me dessa destruição.
Vem, que me entrego e nem quero alforria.

Jane Moreira







Falso Brilhante (soneto livre)





No canto, o retrato amassado.
À mesa, um lugar vago...
Um espaço vazio no quarto
E, na minha vida, um grande estrago.

Divago...E, em meus devaneios,
Vejo o sorriso que guardei na memória:
Sorriso brilhante, porém vazio, sem recheio,
Na face fingida de ternura ilusória.


O sonho do amor interrompido
 Deixou em mim imenso hiato.
Foram noites vazias que não olvido...

E desejo que esse longo entreato
Remova, dos meus olhos sofridos,
O falso brilhante do teu olhar ingrato.


Jane Moreira