quarta-feira, 20 de agosto de 2014

De fachada







De fachada

Horizontes novos se descortinam...
Gente nova, novas promessas, novas vitrinas...
Vivo cada etapa da minha vida peregrina,
Eu sou o meu eu de agora, na estrada...

E em Roma, como os romanos,
Dançando conforme a canção, não me engano
Seguindo na minha vida de cigano
De fachada, na jornada, minha estrada.

A minha alma é esculpida em farsa teatral,
A máscara, meu escudo impessoal,
Que é embuste, engodo, mas sempre igual.
É minha alma de jornada, minha alma da estrada.

E é lá, onde almas me esperam saudosas,
Onde o mar não muda com suas ondas ruidosas,
E o céu se veste de azul, sem nuvens perigosas,
É lá que dispo minha alma de fachada...



Jane Moreira







Sem perdão (indriso)


Sem perdão

Cada dia sofrido, um degrau na escalada.
Cada alma sangrando, um capítulo já lido.
Cada noite insone, uma conta do rosário...

Cada decepção foi um golpe, punhalada.
Cada grito contido, um revide reprimido.
Cada verdade calada, um passo ao calvário...

O tempo passou, sem dó, sem redenção

E a vida parou, sem remendos, sem perdão.

Jane Moreira