domingo, 17 de agosto de 2014

Efemeridade






Efemeridade

Se a flor mais bela definha
E nem que ela fosse minha,
Deixaria de murchar,

Não me rendo à ilusão,
E nem finjo comoção,
Se uma paixão findar.

Não me entrego à fantasia
E nem à idolatria.
Meu verbo é concretizar.

Não espero ser feliz ou infeliz,
Vivo a vida que sempre quis,
Sem amarras a me atar...

Eu não brigo e nem estimo,
Jamais culpei o destino.
E para quê? Meu verbo não é o sonhar.

Jane Moreira






Renascendo

Mote:
''Quando abro cada manhã a janela do meu quarto
É como se abrisse o mesmo livro
Numa página nova…''

Mário Quintana







Renascendo

Amanheço feliz,
E o canto matinal me diz
Que chegou a hora de recomeçar...

Liberto-me das amarras pretéritas.
O sol nasce, dissipando a nostalgia.
Afinal, o sol tem os todos os méritos.

Vejo meu reflexo na água límpida da cachoeira,
Que lava minha alma e leva a melancolia.
Conto ao sol que agora me sinto inteira...

Meus pedaços de vida se juntam lentamente
E, desprezando as raízes da agonia,
Formam células que se multiplicam livremente...

E o novo ego, desapego, que sempre vence a dor,
Surge agora, da semente, imponente e crescente,
É o ser emergente, sem dor que, agora, abraça o amor.

Jane Moreira




Mudanças


Mote:
"quero o lilás
pintando meu peito agreste
abraço, de novo, a paz."
(Lena Ferreira)







Mudanças

Minhas memórias,
Minhas histórias,
Que eu conto em poesia
Em tom de nostalgia...

Minha infância azul
Dias repletos de riso,
Mentes vazias de siso...

Saí do azul, qual borboleta
E passei por muitas cores
E sofri mais tantas dores.

Não quis mais ser borboleta.
Da dor intrínseca me fiz liberta,
Envolta na luz violeta.

E me faço feliz, na cor lilás,
Da força serena,
Que me enlaça na Paz.

Jane Moreira





Chuva



Mote: Opostos - Para contrariar os versos de Amélia de Morais


DIA DE SOL

O sol radiante surgiu entre as nuvens
Gotas de amizade caíram em minh’alma
Palavras, canções e outros tantos bens
Fizeram-me enxergar, com calma
Além, muito, muito além dos homens!
Agora caminho, aberta, esperta, certa.

Amélia de Morais





Chuva,
Que chega lambendo as faces,
Regando as plantas
E lavando o chão,

Sutilmente,
invade minha solidão.
E as gotas
vão formando poças.

E as poças
divertem as moças
e deslizam pela vidraça,
que se embaça.

A vidraça embaçada, a dor que rejeito,
a poça, as moças, a solidão,
compõem o cenário perfeito
para os gritos da alma, ao som do trovão.

Mas as moças 
dão risadas das poças 
que parecem lágrimas 
que se formam no chão.

Jane Moreira