quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Sem saída



Sem saída
Como num barco à deriva sem saída,
No inóspito deserto de mim mesma, sinto,
Numa estrada que, agora sei, ser só de ida,
A vida que se escurece e eu me absinto...

No limite de mim mesma, sem norte,
Na estrada que só vai me levar ao infinito,
Nada mais espero ou quero, senão a morte
Da estrada sem volta da qual me demito.

Como se fosse o amor a me acenar,
Chego a sentir a doçura de me entregar
Ao extremo carinho, à extrema vontade...

E porque é esse sonho a me embalar,
Sinto bem mais perto de mim a liberdade
E me entrego, eu que agora sou suavidade...

Jane Moreira

 


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