quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ofício do Poeta







Ofício do Poeta



Posso compor poemas, minha morfina,
Na solidão de quem muito imagina; 



Nos versos que componho sou sofrimento,
Mulher, homem, solidão contentamento.

Meu verso é a falsidade que respira,
Ou a verdade que parece mentira.

Posso usar o caminho torto, a contramão,
O inverso do verso, o avesso da razão;

Posso contar outra história,
Que já nem é minha memória

E ser mais eu ou menos eu na poesia.
Eu, poeta, posso ser mera fantasia.

A mente do poeta não repousa
E a escrever se vicia e a muito ousa.

Posso intrigar-me em teias
E sem dó, esvaziar minhas veias.

E posso imaginar a esvoaçante borboleta,
Que embeleza e imprime a marca do poeta. 

Não posso admitir o poeta ocioso,
Desperdiçando seu dom mais valioso.

Jane Moreira







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