quarta-feira, 30 de julho de 2014

Noites perdidas





Noites perdidas

Quando a canção há muito esquecida invadiu meus ouvidos,
Assustei-me ao relembrar as risadas, as danças e os sorrisos.
Foi como se revivesse noites de belas damas em belos vestidos
E o vinho a rolar, provocando risos promíscuos, beijos esquivos.

E eu sentia o poder daquela canção e seu ritmo alucinante,
Aquela mesma música trilha sonora de inebriantes paixões
Que, hoje, ao senti-la, eriçam-me os pelos, tremo cambaleante
E me vejo, como antes, esquecida num canto daqueles salões.

E sinto a saudade de tudo aquilo que não foi vivido, nem esquecido.
E a volta daquelas noites torturantes de solidão, ainda latente,
Que arde como queimadura que dói, sem cura e sem lenitivo...

Já não existe mais a esperança daquela menina inocente
Que, um dia, quis ser, quis ter, não foi e nem teve incentivo
E que finge agora o mesmo riso e a mesma face contente. 


Jane Moreira




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