quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Amo-te





Amo-te

Amo-te, assim,
Sem condições,
Sem quesitos, enfim.

Amo-te, pois,
De corpo e alma,
Até o infinito, hoje e depois.

Amo-te totalmente
Sem restrições
Imensuravelmente

Amo-te, também,
Como a nuvem calma
Livremente, depois e além...

E nos amamos, no mesmo anseio.
E nos sintonizamos,
Sem quases e sem receios.


Jane Moreira



De esperanças e destemperanças

Mote: nega-me o pão, o ar, a luz a primavera,
mas nunca teu riso, porque então eu morreria.
Pablo Neruda






Cravados em minhas retinas, dois punhais:
Olhos cruéis com que, na partida, me brindastes.
Olhos de fera que levaram minha paz...
Dor e assombro, foi o saldo que me deixastes

Resigno-me e, em progressão aritmética,
Não ouço os pássaros cantando, só as dores
E a saudade ganham progressão geométrica.
A primavera chegou e nem trouxe flores...

Eu morrerei, se não guardar a esperança
De que volte esse amor que um dia me fez inteira,
Como se fosse uma luz, trazendo a bonança.

Se não voltar, eu serei minha carcereira,
Presa nos descaminhos da destemperança,
Tendo teus olhos como imagem derradeira.




Jane Moreira