segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O amor e as estrelas




Amor nas estrelas


Meu amor é a estrela constante,
a guiar-me nos caminhos da vida.
Quando penso estar perdida,
meu amor é a luz cintilante.

Meu amor é meu mentor,
minha estrela e proteção.
Meus versos fogem da dor
e encontram luz na escuridão.

Sou poeta e sou pintor,
pincelo versos em aquarela.
Em nuance, tom e cor,
pinto o amor e tu és a tela.

Quando me junto às estrelas,
Companheiras do anoitecer,
meus versos de amor fluem ao vê-las,
como se fossem gotas de luz a verter.


Jane Moreira









Os inocentes




Os inocentes ...

Procura-se
A mão amiga,
Que abriga e não se fatiga...

A mão
Que cuida,
Ampara e não castiga.

A mão macia,
Que acaricia,
E alimenta com alegria.

A mão que ampara
Os inocentes, desprotegidos...
E dá guarida aos desvalidos.


Jane Moreira







Escolhas





Escolhas


O coração me dita a estrada a seguir
E eu fico ali perdida, na encruzilhada...
Mas outro caminho está a me atrair,
Sem certeza, sem coragem ali parada...

A vontade deste meu coração,
Aponta para o caminho mais gostoso:
A via da doce tentação,
Que torna o percurso mais gracioso...

Vejo rios, florestas, cachoeiras
Na beira da estrada da tentação.
Vejo abismos e barranqueiras
No início da estrada da oposta direção.

Como obedecer aos ditames do coração?
Seguindo o encantamento?
Seria a beleza uma ilusão?
Seria a dureza um ensinamento?

Nem tudo que reluz é ouro...
Nem tudo que seduz é tesouro...




Jane Moreira









O aprendiz (rondel)

Mote:

De Affonso Romano de Sant'anna

Gosto de me iludir pensando
que hoje amo melhor que ontem amei.
Assim desculpo o jovem afoito
que, em mim, me antecedeu
e, generoso, encho de esperanças
o velho sábio
que amará melhor que eu.


O aprendiz

Quando jovem, o sábio ancião,
que muito amou, nas tardes primaveris,
na ânsia de viver e ser feliz,
feriu seu amor, sem perdão.

Ele era ainda um aprendiz...
Essa foi sua perda, sua perdição,
quando jovem, o sábio ancião,
que muito amou nas tardes primaveris.

Seu medo, sua ânsia em explosão,
deixou marca e cicatriz.
E fez, do amor, sublimação
do que quis e do que não quis,
quando jovem, o sábio ancião.



Jane Moreira



Empinando ilusões

Mote:

Quando morre um menino
Não há pandorgas no céu .

(Cesar Passarinho)




Empinando ilusões

Menino, que solta pandorgas,
É dono da metade do céu.
Os passarinhos seguem em revoada
Cada pandorga ao léu...

Menino feliz, criança sem culpas,
Solta a linha devagar.
E se outro lhe corta a pipa, é desculpa
Para mais pipa empinar

Corre solto na campina
Viaja o céu inteirinho
Enquanto seu troféu empina

E se não tem passarinho,
E ele, no céu, avista ave de rapina,
Fica triste o pequenino...



Jane Moreira









Fé é o escudo de quem, com fervor,
Não se curva ante a morte ou a desdita,
Superando com nobreza toda a dor.

No Alto está a força em que acredita.
Leva à frente seu escudo protetor.
Não tem medo e por isso não hesita...

Não há abismos, pecados, dívida ou devedor...

Placidamente leva a vida, sua bandeira é sua fé contrita.








Desvendando-me

Mote:
"Conhecer a sua própria escuridão é a melhor maneira de lidar com a escuridão dos outros."
Carl Gustav Jung





Desvendando-me

Como a noite escura,
A mente se esvazia
E vai, nessa procura,
Buscar a fonte luzidia.

Desvendar-me é preciso.
Amanhecer como um novo dia...
Pelas obscuras linhas, pesquiso...
Viajante, sou, eu mesma, meu guia.

E quando a luz encontrar,
Nesta ou noutra direção,
Será meu novo caminhar,
Desvendada a escuridão.

Será o caminho da consciência,
Já liberta de segredos,
Já sem buscas, sem ambivalência,
Sem algemas, sem medos.

Jane Moreira



Ouvindo o som das pedras

Mote:
O Espírito da matéria

De Martins Fontes.
                             

                                                      


Ouvindo o som das pedras

As pedras, que rolam pela cachoeira.
Levadas pela água cristalina,
Gemem descendo pela corredeira.

As pedras, que suportam chorosas
A violência das ondas bailarinas,
Choram lágrimas caudalosas.

As pedras, fustigadas pelo vento,
Não se rendem à fúria assassina
E gritam ante tamanho sofrimento.

E seus gemidos, choros, gritos de agonia,
A natureza os compartilha e se contamina,
Solidária nos acordes da sinfonia.

Jane Moreira




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Escorrência





Escorrência

Amei ao som das ondas
E amei ao som das flores
Me cobri de todas as cores

Me sintonizei tanto contigo
Me fechei para o mundo
Descobri o amor profundo

Esse amor é castigo,
É bálsamo ou doença?
Ou é minha maior crença?

Amor que enraizou no solo de mim
E se tornou maior, gigante,
Cresceu galopante...

E foi tanto o amor,
Que escorreu assim,
De mim.


Jane Moreira



Eu sou

Mote:
Quando amo
 Eu devoro – Buarque-se  (Baioque)






Eu sou

Eu sou o sol que arde, queima e aquece,
Sou o gelo que fere, corta e resfria.
Meu beijo é a mordida que nunca se esquece,
Minha ternura resvala e roça a ironia.  

Sou teu escravo, teu dono e senhor,
Minha lei é a aldrava que só eu poso abrir
E eu amo, como só eu conheço o amor,
Que é forte, intenso e pode até te ferir.

Não me faças rir, meu riso é lava quente,
Sou cachoeira, não me faças chorar.
Posso até te ferir, não me tentes.
Só me queiras, se quiseres te arriscar ...

Jane Moreira



De cores e vozes

Mote:
E se as cores tivessem voz?




De cores e vozes


O vermelho clamaria pela paixão
Louca, exacerbada e obstinada...
O branco repetiria o refrão:
Paz e amor, gente amada.

O amarelo, irradiando calor,
Gritaria louvores ao sol
E o verde, em todo seu esplendor,
Seria o campo saudando o arrebol.

A cor-de-rosa diria com calor
Que a vida pode ser maravilhosa.
E, olhando as cerejeiras em flor,
De sua cor ficaria orgulhosa.

E todas as cores em coro
Cantariam o hino do amor
Não dariam voz ao choro
Em vez disso, coloririam a flor

Jane Moreira







Lembranças

Mote:

Fechei
os olhos e deixei-me absorver pelas imagens: pequenas gotas tornando-se
poderosas e densas, arremessando-se furiosamente contra o solo de terra batida,
levantando e levando aquele aroma singular para lugares inimagináveis.
Éder de Sousa Boaventura





Lembranças

Sinto o gosto amargo da saudade,
Que me belisca torturando o coração
E me arranhando, sugando minha vontade,
Faz-me refém da mais terna contemplação.

Fecho os olhos: vejo rostos, cores e sabores,
Sinto a alegria varando a escuridão.
Amigos, doces encontros de amores...
Lanço meu sorriso, enfrentando a solidão.

Como purpurinas que se esvaem ao sabor do vento,
Lembranças que abraço com o sabor de outrora,
Minhas fantasias são varridas sem dó ao sabor do tempo...

E a saudade, que corrói e que agora se aflora,
Se veste de rosa e rescende a sutil chamamento
E eu fico feito cascata que rola, água que vem e vai embora.

Jane Moreira





Duas almas entrelaçadas

Mote:

de Castro Alves a primeira estrofe de:
AS DUAS FLORES

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.






Duas almas entrelaçadas


Almas entrelaçadas,
Desde muitas vidas já vividas,
Encontram-se em muitas jornadas
Vidas entre si divididas

Além do corpo e da beleza,
Atravessam essa máquina perfeita
E, além da matéria, nas profundezas
Do espírito, são aprendizes refeitos...

E voltam, aprendizes novamente,
Nesta escola que nunca se cansa
De receber seus queridos entes...

E de infinito a finito, na mesma dança,
Unidas almas, são duas sementes
Da mesma flor, bendita semelhança.

Jane Moreira







Liberta

Mote:
"Fica estabelecida a possibilidade de sonhar coisas impossíveis 
e de caminhar livremente em direção aos sonhos."

Montaigne




Liberta


Perdi o juízo,
Libertei a menina,
Soltei meu riso
E as garras da felina...

Sigo o rastro da esperança,
Perseguindo meu graal.
Sem juízo, livre, sem cobrança,
Certa que irei até o final...

Lanço-me inteira à aventura,
Fecho bem a cortina do passado
E descerro o véu do futuro.

Minha lei e o livre arbítrio equilibrado
Fazem do mero sonho a grande procura
Que, por fim, alcançado, tornar-se-á meu legado.



Jane Moreira


Desejo


mote:

E o meu desejo,
O meu desejo, é lança que rasga o céu,
É grito que treme a imensidão do mar,
Também se transforma no majestoso vento.
...

Rodrigo Arcadia







Desejo


O teu desejo inflama o meu desejo,
Como se fosse a luz que dissolve o medo.
E, pela força que vem do teu sopro benfazejo,
Transformo-me na onda que atinge o rochedo.

Se me queres, como a lança dos transgressores,
Se me chamas com toda a força do trovão,
Eu te sigo pelas noites delirantes, sem pudores,
Com a fé dos que não procuram a razão.

Sou a força exacerbada pela força do teu grito,
Sou a frágil delicadeza que te alcança
E contigo se transforma, rompendo o infinito. 

E somos chamas que se consomem lentamente,
E exorcizadas cascatas que docemente se lançam
Somos, eu e tu, brisa e vento, calor e sentimento.

Jane Moreira




Meu encontro






Meu encontro


Na complexidade do mais simples,
Encontrei a grandeza que esperei;

No abraço tão singelo,
A força que precisei;

Na solidão, em meio à turba,
Encontrei a essência que procurei;

Na rude incerteza,
A certeza que sonhei;

No golpe da vida, do sonho desfeito,
Encontrei o respeito;

No caminho percorrido e sofrido

Alcancei, enfim, a paz que almejei.

Jane Moreira


Ao pé da montanha

Mote:
Discípulo: Mestre, Quem abre as portas à ambição?...
Mestre: Fecha-a à tranquilidade.








Minha luz é santa.
Sagrado é meu mantra,
Ao pé da montanha.

Nada me estranha
Meu mantra ideal,

Ao pé da montanha...

A ele se chegam
O sol matinal, 

A luz da manhã,


A lua, minha irmã,
E o vento, a chuva, o frio,
Companheiros na montanha...

Bebo a claridade,
Alimento-me de harmonia,
Na paz da montanha...

Recebo a poesia, c
onvido a luz,
Expulso a dor. Eu sou e estou
Na montanha.

De nada preciso, ando ao lado
Do Bem e da Verdade,
Que encontro na montanha.

Que me guarda noite e dia,
A suprema bondade,
Na Tranquilidade d
a montanha...

Jane Moreira