quarta-feira, 24 de abril de 2013

Intangível e Incoerente







Intangível e Incoerente

Quero a fé do ateu confesso,
Quero a liberdade dos enclausurados.
E quero a história do Universo;

Quero o lado claro da escuridão,
Quero a sombra do meio-dia.
E quero um soneto de versos vãos;

Quero um vento gelado no estio,
Quero a dúvida do ortodoxo.
E quero o sermão do vadio;

Quero a morte da dor, enfim,
Quero o fim do começo,
E quero o começo do fim;

Quero o canto do rouxinol
E quero que cante no arrebol...
Quero o instante que se perdeu...

Jane Moreira













Versos indomáveis


Mote:
Quero mais letras, livres, leves, voando
no ritmo do impróprio pensamento (Lena Ferreira)





Versos indomáveis

Ao sentir a lua me chamando
Ou a brisa me acariciando,
Surge um mar de emoções,
Mais sentidas que pensadas,
Que Invadem o pensamento
E escorrem pela mão...

E vão-se formando meus versos,
Ditados pela emoção.
Versos livres, rebeldes,
Que, fugindo à regra e ao conceito,
Livres, correm satisfeitos,
Cumprindo sua missão.

Jane Moreira






Vozes do coração

Mote:
O coração tem bordas estreitas
E, feito o mar, se mensura
Por um poderoso baixo contínuo
E monotonia azul

Até que um furacão o seccione
E, enquanto descobre
Seu insuficiente espaço,
Aprende em convulsões

Que a calmaria é tão-só muralha
De intocada gaze:
A pressão de um instante a destrói,
Um questionamento a esgarça.

Emily Dickinson
- Tradução de Ivo Bender -








Vozes do coração

Frágeis barreiras resguardam
Um coração apaixonado.
Se as dores nele resvalam,
Ele se contrai, machucado.

Barreira, erguida em fino véu,
Protege com delicadeza
O amor como um lindo troféu
Guardando sua maior riqueza.

Não se magoe esse troféu.
Não se quebre esse cristal.
Não se rompa esse fino véu...

As vozes do coração,
Mais fortes que o vendaval,
Ditam as regras da emoção.

Jane Moreira