domingo, 10 de março de 2013

Eu vi









Eu vi

Eu vi
o amor chegar
e se instalar,
tomar conta, seduzir...
Eu vi os dissabores
pelos quais passou
quem se deixou iludir,
a quem ousou trair...


Eu vi
O amor vencer a dor,
ser curador, credor, devedor...
Vi o amor renunciar
e, sem querer, magoar.
Eu vi o amor ser perdão
e ser mais que uma emoção.
E senti ,desse amor, a magia,
percebi, nesse amor, a poesia.!

Jane Moreira






Omnia in Uno

Omnia in uno

Vivo no espaço, levito nas nebulosas
e recebo o brilho das estrelas...
Navego no rio de prata da Via Láctea,
que vigia o luar, que vigia o poeta...

Vivo no mar, mixando-me às ondas ruidosas.
E, na Terra, sou a flor, que abriga o orvalho
que cai e me faz de abrigo.
Sou anjo que socorre,
sou poesia que, das veias, escorre;
sou semente que germina,
broto que nasce, fruto que alimenta.

Não devo chorar. Para que?
Se estou também na chuva
e ela chora por mim....
Se tudo é perfeito, se não existe defeito,
se quando a folha que cai, no outono,
é para vestir-se de ouro...

E sou verão aquecendo-me de euforia
e sou primavera, renascendo com as flores
e sou inverno, invernando-me contente,
pisando a neve fria, que guarda vida latente.


Sou o vento que corre nos campos,
noite que abriga o luar,
o canto de todo o encanto...
E sou floresta que abriga o pássaro,
que foge da cobra, que foge do homem...

Sou a brisa que beija o mar,
que recebe o rio, que supera obstáculos,
que forma a cachoeira, que canta e encanta...
Sou a nuvem que passa na madrugada fria,
que chama o dia, que chama a noite...

Sou a chuva fraca e poética, que cai sobre os montes,
que repartem a água que nos vales cai.
E sou a chuva violenta, que atiça o vento,
que lava o pecado e limpa o ar,
restaurando o equilíbrio.
No todo, estou e sou... Sou todos no todo.... Sou um no Uno.
Somos todos omnia in uno
Sou uma letra num verso do imensurável poema do Universo.


Jane Moreira.

O vale






O vale

No vale verdejante,
vida, alegria pulsante,
sentimentos puro prazer...

Não havia dinheiro,
nem ânsia de poder.
o prazer era o fiel companheiro.

No vale onde havia tanta gente,
hoje é tudo mato somente.
Era gente alegre, feliz.

A fonte de prazer,
alegria, delicadeza,
ilha do bem viver,
impregnada de beleza,
O homem fez morrer...

Jane Moreira






O vento





O vento

O vento
quer se espalhar
sobre a onda do mar,
abaixo da luz do luar...


Espera o momento
só seu, de beijar
a onda do mar...

O vento
é seduzido pelo movimento
da onda do mar,
a ondular...

E,
ciumento da tempestade,
que faz o mar encrespar,
vem violento a onda beijar...

E a onda se espalha na areia
Pronta para se deixar amar...
E grávida do vento,
volta pro mar
e outras ondas vai formar...

Até o novo momento do vento chegar...

Jane Moreira



O poeta, pintor de idéias






O poeta, pintor de idéias

Olha o vazio...
O papel acaricia...
Sente arrepio.
A mão desliza
A mente no cio...
E o poema
Escorre feito mel.

Para o poeta,
Pintor de idéias,
Escultor de imagens,
Em suas mãos,
O lápis é como um pincel:
Os versos vêm fluindo,
Como quadro que se revela,
Enquanto as idéias vêm surgindo...
Basta a mente livre ficar...

Jane Moreira





De céu, éden e outras paragens




De céu, éden e outras paragens


Poeta, tu falas de céu?
De que céu falas, poeta?
Do paraíso, do Éden,
Da vida em outra “terra”?
Falas de um mundo sem guerra?
Ou falas de um outro planeta?

Falas do céu que esperas
Numa outra dimensão?
Entre a telúrica razão
E a lógica universal?
Ou quimera?

E o poeta responde:
Refiro-me ao céu de outra era
E que está aqui ao lado,
Numa outra dimensão...

O céu que espera o cristão ou não,
Céu da verdade dogmática, absoluta
E indiscutível, não passa de imaginação,
Lá e cá, no éden ou na terra, a vida é luta.

Pois, que há entre céu e terra?
Nada mais que fina camada,
Mais forte do que a morte,
Mais forte que o esquecimento,
Mais forte que o pensamento...


Jane Moreira