sábado, 2 de março de 2013

Milagres da mão sentinela




Milagres da Mão Sentinela

No teatro a céu aberto,
Onde os milagres atuam a descoberto,
Atores e plateia se confundem.
Nascem os filhotes das gentes,
Nasce a cria da gazela:
Milagre da Mão Sentinela.
No mar, as ondas namoram o vento,
Erguendo-se em encantamento
E seguem correndo para a areia beijar.
No céu, a lua surge iluminada,
Na noite que matou o dia,
Mas que o sol ainda vigia...
Na montanha, a neve se espalha impunemente
E desliza, acariciando seu dorso mansamente,
Como carícia de amor...
As nuvens escuras e densas
Anunciam a procela...
São milagres que a Mão pincela.
Amantes em leitos de amor,
Um poeta em devaneio,
Das mães, o farto seio...
Nos campos, a primavera a florir
Vai o palco da terra colorir...
E o teatro, repleto, não recebe aplausos...
Em toda a parte, a Mão Sentinela
Opera milagres, sem se mostrar.
É preciso colaborar...


Jane Moreira





O piscar do tempo - Poemeto




O piscar do tempo

Ontem éramos tão felizes:
Jovens, leves, soltos, livres...
Éramos ainda aprendizes,
Cabelos ao vento, rostos juvenis.
Hoje, ao ver meu retrato,
Percebo que a pele suave de outrora
Diluiu-se nas rugas de agora,
Que, no piscar do tempo, surgiram.

Jane Moreira



Das alquimias sonoras




Das alquimias sonoras


Nas alquimias sonoras,
da lentidão ou correr das horas,
no espaço são registrados
sons que emitimos
quando rimos,
quando discutimos....

Nas alquimias sonoras,
do mantra,
do Ômkára, através
da ressonância na condução
e da auto revelação...

E o Pránava,
desobstruindo o canal
do corpo físico e do astral,
faz os sons circularem
desde os mais antigos,
sons amigos ou inimigos...
Sons que o próprio Universo
carrega consigo...

Por precaução,
é preciso atenção:
Não se diz palavra em vão.
Elas circulam
através da ressonância
e, no universo, têm constância.
Circulando,
voltam ao ponto de partida
ou ficam
Reverberando no ar.


Jane Moreira








Não





Não

Digo não ao impostor,
Recuso o bajulador.

Rejeito o falso amigo,
Mais do que o inimigo.

Desprezo a falsidade
E digo não a qualquer maldade.

Se, por isso, sozinha ficar,
Viverei somente do que restar.

E, se nada mais restar,
Nem mesmo um pouco de amizade,
Restará ainda minha verdade...


Jane Moreira