quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

De alinhavos e costuras




De alinhavos e costuras

Ainda no outro lado,
Fiz o molde da minha vida,
Alinhavei muito bem e, no início,
Onde coloquei, da infância, a alegria
E, da vida, toda a magia,
Relutante, abri uma brecha para a dor
E costurei com amor.

E os anjos me emprestaram a lira...
E a suave melodia
Deixou o doce sentimento
Para embalar o sagrado momento
De ser criança outra vez.
E deixei as notas lá dentro.

E fui alinhavando as idades, as fases,
Sob o olhar sempre atento
Dos mestres superiores,
Que dariam o acabamento...
Já pensando no livre arbítrio,
Fui deixando aberturas
Nos alinhavos e nas costuras...

Em cada costura guardei um espaço
Para os segredos e os medos...
Noutra parte os meus amores...
Não esqueci do pecado,
Que eu sabia que iria cometer...
Mas o lugar ficou marcado,
Para poder discernir
Se ali haveria algo errado...
Ou não...

Mas não revelo os segredos,
Nem falo dos meus medos.
Meu pecado eu já esqueci...
Não vou falar dos amores,
(Que os tive de várias cores),
Nem vou mostrar a cicatriz
Das dores que enfrentei,
Nessa vida de aprendiz.

Jane Moreira