terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Vivendo na contramão.


Mote: Construção – Chico Buarque



Vivendo na contramão.

Nem se recorda do tempo
Em que amava, beijava,
Por amor, por paixão...
Então,
Amava, beijava
Por hábito, pela situação...
Lutava consigo, lutava por todos,
Trabalhava sem chão,
De sol a sol, na escravidão...
Brincava, para não chorar...
Comia, num ritual,
Dia após dia, seu arroz com feijão.
E não era de ferro, então, bebia, era natural...
Dançava e nem era carnaval...
Viajava por terras, travava suas guerras...
Soluçava. Que vida imoral...
Então, gargalhava, para afastar o mal.

E andava pelos andaimes,
Sem direitos, sem reforços, todo dia, igual...
Sem segurança, mas era natural!
Queria ouvir música, num sábado normal
E queria ser príncipe, com seus filhos,
Sua mulher no palácio real.
Não sabia, mas era apenas um número na multidão
Não queria, adivinhou, sem sentir:
Atrapalhou o tráfego, coisa banal!
E em vez do palácio, ganhou a mortalha no final...



Jane Moreira








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