quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

As idéias

Mote: Romanceiro da Inconfidência - Cecília Meirelles.



As ideias

Na árcade Vila Rica,
Poetas uns, outros não,
Uniram-se por uma razão:

A conjuração...

Intelectuais, fazendeiros, um alferes entre eles.
E queriam liberdade...
Mas tudo terminou com falsidade...

Tinham ideias...

Os cochichos nos becos,
Nas procissões, nas ladeiras,
Nos encontros dos conjurados...

“E as ideias” ...

Contra a opressão
E a arbitrariedade,
Nascia um ideal de liberdade.

Eram as ideias...

Mas um interesse comum havia,
Além das ideias, nos cochichos,
Por trás da “Liberdade ainda que tardia”:

Ideias...

Muitos deles endividados,
E todos eles revoltados.
À “Causa” juntou-se o Ideal:

"Libertas quae sera tamem":
As minas nas Gerais Minas...
O ouro das minas de Minas...

“E as ideias” ...

O arbítrio lhes tirava
O ouro e lhes cobrava...
A revolta se instalava...

“E as ideias” ...

Contra o domínio execrável,
Situação insustentável...
Sigilo... Encontros... Maçonaria...

“E as ideias” ...

As ideias... Os encontros...
Vila Rica, França, Inglaterra:
As ideias: Ideal, Liberdade na mineira terra.

“E as ideias...”.

Traídos covardemente,
Julgados inclementemente:
O Poder contra os conjurados...

Prisões, medo, degredo...
Mortes não explicadas...
Um somente sentenciado...

Na árcade Vila Rica
De Marília e de Dirceu,
A conjuração morreu.

Apesar das ideias
e por causa das ideias.
Que ficaram...




Jane Moreira






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