quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Beleza verdadeira


MOTE:"A beleza nunca está concluída para o sentimento. 
Há detalhes imperdíveis que só se revelam com o tempo dos olhos."  
Ana Jácomo   




Beleza verdadeira
  
Quanta beleza vazia reina absoluta
Em palco acima dos mortais.
E logo um trono lhe é concedido,
Sem que haja nenhum pedido,
Por mentes deslumbradas.

E eu fico a pensar se, um dia,
Por acaso ou por ousadia,
Ela for destronada
Por uma beleza pensante,
Envolvida num espírito brilhante...

Poderia a plateia,
Perceber a beleza,
Além do exterior,
Mesmo se não envolvida
Em fina delicadeza?

Jane Moreira




Sem palavras

Mote:
Nossos corpos se conversam por horas e horas
Sem palavras "tão" dizendo a todo instante um pro outro


O quanto se adoram
Luan santana


Sem palavras

Palavras soam e ecoam no ar
docemente se repetindo...
E eu, lembrando e ouvindo,
sempre pronta para amar.

Você está tão longe...
Trace o caminho de volta.

Enquanto espero, meu corpo ansioso
Pressente os carinhos seus.
Meu desejo espera, amoroso,
seus suspiros abafando os meus.

Você está tão perto...
Que meu desejo enlaça o seu.

E, como se estivesse aqui,
você me encontra sem me tocar.
E, no abraço entre as estrelas e o mar,
sinto a urgência se acalmar.

Você está tão longe...
E eu sinto que está tão perto...

Estamos juntos no ar,
nos recantos do mundo,
nas flores e nas ondas do mar,
nas estrelas e na imensidão.

Você está distante e tão perto,
que meu corpo conversa com o seu.




Melodia misteriosa

MOTE: "Cabana nos Bambus”
“Sentado sozinho, em meio aos bambus; Toco minha cítara, e as notas reverberam. No segredo da mata, ninguém pode ouvir; Apenas a clara Lua, vem brilhar sobre mim.” Wang Wei 






Melodia misteriosa

Em algum lugar, além do profundo da mata,
E da lua que brilha sobre a cascata,
Nasce a suave e nostálgica melodia,
Que invade a noite e me contagia...

O vento frio sopra silencioso
E a cascata entoa seu refrão.
E as notas de alguém misterioso
Envolvem-me, rasgando minha solidão.

Muito além daquela mata,
Acima do som merencório,
A noite é o palco da sonata
E a lua e eu somos seu auditório.

Alguém solitário, ou apenas sozinho,
Que não conheço e nem adivinho,
Liberta as notas que voam ligeiras
Sobre as matas e as corredeiras.

E continua o ser misterioso
A emocionar-me, ao longe, escondido,
Derramando seu som poderoso
Sobre mim, que o auditório divido.

Jane Moreira