quinta-feira, 22 de março de 2012

De Chuva e Oração



Chuva que limpa toda a impureza,
Que traz alegria à plantação,
Lava os pecados, devolve a beleza,
Lava as mágoas do meu coração.

Chuva que traz alegria à natureza,
Que ameniza a poluição,
Limpa as marcas de feridas da rudeza
Com que tratam nosso nobre chão.

Chuva, que é dos pecados a rendição,
Aumenta tua dose lá no sertão.
Chove com amor, chove com carinho...

Chuva, alegria do trigo que faz o pão,
Alegria do sertão, clareia meu caminho.
Atende esta súplica em forma de oração.

Jane Moreira




 

De mulheres e atitudes



Mulher,
Que sabe o que quer,
Que segue seu caminho,
E evita os descaminhos,
Empunhando sua bandeira...

Mulher,
Que não sonha em vão,
E encara a realidade
E, desmistificando a falsidade,
Também não dá crédito à ilusão.

Mulher,
Que sabe que sua estrada
Muitas vezes é perigosa,
É prudente, mas audaciosa,
E não teme nenhuma emboscada,

Assim é a mulher de verdade:
Mesmo sonhando, não foge à realidade.
E não se perde nos atalhos da vaidade.



Jane Moreira







E o tempo levou...



E o tempo levou...

A lua ilumina a velha morada...
Meu lar, minha infância guardada...
E, chegando ao portão,
Lá está o casarão...

O portão, no fim da estrada,
A roseira da entrada
Sobressaindo no escuro...
E o cinza claro do muro...

No jardim, no pequeno lago,
Quantas vezes, hoje eu me indago,
Se eram os peixinhos que me encantavam?
E como brilhavam...

A casa logo aparece.
Minha mente lembranças tece
E a chave naquele prego...
Senti a fisgada da saudade, eu não nego...

Chegando ao riacho atrás dela...
Quantas vezes, na janela,
Ouvia o seu murmurar!
Que respondia com meu cantar...

Volto à porta já desbotada,
A velha porta abandonada
E a chave dependurada...
No prego atrás da escada,

E ainda é a mesma lua,
Que iluminava nossa rua,
Nas noites de eu menina...
Ela ainda me fascina...

E relembro dias passados...
Aqueles dias dourados...
Correndo ao vento...
Queria parar no tempo, naquele momento...

Atrás das borboletas do jardim
Eu corria. O perfume de jasmim
Ainda sinto, ao lembrar.
Da sacada, eu contemplava o luar...

Volto ao tempo do meu tempo...
Porque menina de novo eu sou,
Naquele tempo que já passou.
E que o tempo levou...


Jane Moreira


Louvação à Mulher






Louvação à Mulher

************

A mulher é
uma entidade diferente;
Assim, como
A mulher europeia,
Ou a americana, a africana,
Da savana, de Gana ou nigeriana,
De lutas insanas,
Cristã ou muçulmana:
Mulher do Islã
E do ramadã,
Coragem, força, resignação...
Muitas de vida tirana.
Ou a mulher indiana,
Asiática, cristã, cigana,
Budista, judia...
Todas têm mistério e poesia...
Símbolos de coragem e valentia...
E a mulher indígena-natureza,
A mulher brasileira, bela e brejeira.
A mãe, a irmã,
A amiga e a companheira.
E assim, todas são
O símbolo da mulher inteira
Da raça verdadeira, raça Mulher.
Branca, negra, amarela,
Oriental, ocidental...
Essa entidade da Mulher Bonita:
Que pode ser a aflita,
A bendita, a cosmopolita, a erudita,
A que luta, a que sofre, a que estuda,
A que serve, a que é servida
E que, eventualmente, se unem na lida.
Mulher... Todo tipo de mulher:
Resignadas, ousadas,
Valentes, sofridas ou abnegadas.
Mulheres experientes,
Ou crianças inocentes.
E, até mesmo na angústia, sorridentes.
Heroicas criaturas, comoventes,
Crentes ou não,
Independentes ou não,
De seus deveres conscientes
E, mais que tudo, gente.


Jane Moreira.


08 de março de 2012



De contrastes






De Contrastes é a vida
Onde alguém vê um descarte
Outro, com “engenho e arte”,
Vê a chance da subida.

Jane Moreira


Tempo, tempo (Poemeto)



Tempo, tempo

Se o tempo se mostra inclemente,
Ao marcar as etapas da vida,
Também faz germinar a semente,
Que cai ao chão, distraída...

Assim são os momentos da vida da gente:
A angústia passa lentamente, dolorida...
E quando a gente está contente
Passa por eles, distraída...


Jane Moreira






Carnaval de ilusões




Carnaval

No ritmo frenético,
Dança o folião.
Blocos saem às ruas,
Festejando a tradição...

É a festa da libertação,
Onde o pacato cidadão,
Que esperou um ano inteiro,
Vira rei, sem ter dinheiro...

E são muitos os foliões
Que sacodem a avenida,
Esquecendo as decepções
Do dia-a-dia, da vida...

Festejam a alegria
De, por um dia,
Dois ou três,
Serem rainhas e reis...

A euforia beira a histeria
Em meio ao turbilhão...
Nem pensam que essa magia
Dura apenas um clarão...

E vai sorrindo a bailarina,
Em tules embrulhada,
Em encanto de serpentina
E confetes, vai deslumbrada...

E deslumbram-se os turistas na plateia:
Com a ginga dos passistas na arena,
Frenéticos e felizes em suas evoluções,
Todos eles envoltos em ilusões...

Então, a dor, já esquecida,
Fica em casa, adormecida, escondida,
Até o fim daqueles dias de magia,
Quando se despe a alegria...


Jane Moreira







Magia da Lua




  



Magia da Lua

A magia em torno da lua,
que atrai os enamorados,
faz dela a dama da noite sem perfume
companheira da solidão.
Às musas mortais faz ciúme
e dos poetas é a inspiração

Jane Moreira



Sombras



Sombras

Meu olhar se perde nos campos
E o passado se revela novamente,
Como um filme que se desenrola.
E o tempo para de repente...

E as sombras vão tomando forma,
Vistas assim da minha janela.
E o tempo, que tudo transforma,
Vai mudando a imagem da tela...

Vejo a alegria dançar no jardim
E a esperança com ela brincar.
Lindos vestidos de cetim
E aqueles olhos cor do mar...

A tristeza se esconde no porão
E vejo a delicadeza se erguer
Para não mais cair em tentação.
Liberta está a vontade de viver...

E o filme chega a seu final,
Na cena mais tocante do meu dia.
Amanhã, ao sereno matinal,
Sei que vou reviver essa magia...


Jane Moreira





Desatino (Grinalda de trovas)


 Desatino

Sou noite de desatino,
Sou o avesso da canção.
Se não mudo meu destino,
Sangro e vivo em solidão... 

Sangro e vivo em solidão,
Destilando esse amargor.
Eu grito na multidão,
Preso nas teias do dissabor

Preso nas teias do dissabor,
Perdendo toda a razão,
Sou afeto e sou rancor, 
Em meu desejo de amor.


Em meu desejo de amor,
Vivendo na escuridão,
do amor que só causou dor,
Eu fechei meu coração. 


Mote:

Sangro e vivo em solidão
Preso nas teias do dissabor
Em meu desejo de amor
Eu fechei meu coração.

Jane Moreira