sábado, 20 de outubro de 2012

De dias e perdas






De Dias e Perdas


Todo o tempo que tenho
É o tempo que quero;
É todo o tempo que espero.

É hora de absorver perfumes,
De me livrar dos costumes,
De tocar a lira, de ouvir as fadas...

O tempo que já passou e que perdi,
Esqueci, acho que apenas existi
E que pouco fiz.

No tempo que perdi
E nas algemas do dever me prendi
Não tive tempo de sonhar

No tempo em que eu não sorria,
Não tinha tempo, ou não queria,
Sorrir, brincar, amar

Agora, eu me permito sonhar,
Contemplando as ondas do mar
E me perdendo nas estrelas....

E me perco em meio ao vendaval
E me deixo cair sobre a areia molhada...
E me entrego, sim, ao natural

Coração em festa,
Ouço os sons da floresta,
Visto-me de fada e sou eterna.

Espero o sol nascer e contemplo
O parto da natureza fértil,
Mãe do dia, parindo o filho do tempo

Que se entrega a mim, esperançoso.
E eu penso no que fiz, no tempo ocioso,
Dos outros filhos do tempo, há tempos atrás...

Agora posso sentir o chão que se faz presente.
Sinto a força de pisar
Descalça na grama fria, na areia quente...

E o dia finda e me deixa a noite, seu legado,
Para sonhar, devanear, embriagar-me
Com loucuras santas, nos vislumbres do paraíso.


Jane Moreira






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