sábado, 31 de março de 2012

Quase tragédia no lar








Quase tragédia no lar.

Prenúncio de chuva...
Raios riscam o ar. Estremeço.
Ouço os primeiros sons de trovão
Cada vez mais perto, Pego o terço...
É o começo...Ajoelho no chão.
Sinto o cheiro da terra molhada,
E logo reúno toda a criançada,
E rezamos alto, Ave Maria...
A chuva cai mais forte,
Parece uma cachoeira...
Se tivermos sorte,
Não haverá lamaceira.
Ajoelhados, rezamos cantando
Contando as contas,
Cada conta, um canto, um santo,
Ave-marias, pais-nossos,
E a chuva engrossa,
A água empossa...
Minha nossa!
Fecho a janela,
Coloco a tramela
E continuo a rezar.
Cada trovão
Nos faz mais alto cantar...
Os campos lá fora,
No descampado, alagados.
As árvores envergam assustadas.
E nós rezamos...
E cantamos...
Até de madrugada,
Quando a cabana alagada
Começa a esvaziar...



Jane Moreira




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