quinta-feira, 22 de março de 2012

E o tempo levou...



E o tempo levou...

A lua ilumina a velha morada...
Meu lar, minha infância guardada...
E, chegando ao portão,
Lá está o casarão...

O portão, no fim da estrada,
A roseira da entrada
Sobressaindo no escuro...
E o cinza claro do muro...

No jardim, no pequeno lago,
Quantas vezes, hoje eu me indago,
Se eram os peixinhos que me encantavam?
E como brilhavam...

A casa logo aparece.
Minha mente lembranças tece
E a chave naquele prego...
Senti a fisgada da saudade, eu não nego...

Chegando ao riacho atrás dela...
Quantas vezes, na janela,
Ouvia o seu murmurar!
Que respondia com meu cantar...

Volto à porta já desbotada,
A velha porta abandonada
E a chave dependurada...
No prego atrás da escada,

E ainda é a mesma lua,
Que iluminava nossa rua,
Nas noites de eu menina...
Ela ainda me fascina...

E relembro dias passados...
Aqueles dias dourados...
Correndo ao vento...
Queria parar no tempo, naquele momento...

Atrás das borboletas do jardim
Eu corria. O perfume de jasmim
Ainda sinto, ao lembrar.
Da sacada, eu contemplava o luar...

Volto ao tempo do meu tempo...
Porque menina de novo eu sou,
Naquele tempo que já passou.
E que o tempo levou...


Jane Moreira


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