terça-feira, 24 de maio de 2011

Nos tempos idos

MOTE: “Era ainda jovem demais 
para saber que a memória do coração 
elimina as más lembranças e enaltece as boas 
e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado...

”  Gabriel Garcia Marquez

Nos tempos idos...

Nos tempos idos, houve falsidade,
Desse tempo não sinto saudade...

Nos tempos idos,
não pensava em perdão.
Só sentia decepção, amargura e solidão.

Nos tempos idos,
só olhava para trás
Perdoar? Jamais...

Nos tempos idos, doeu a punhalada,
Que veio por trás, feito emboscada.

Nos tempos idos, beleza em nada havia... 
E o canto dos pássaros não ouvia.

Nos tempos idos, não havia esperança,
Nem mesmo havia minha criança.

Nos tempos de agora, os pecados
Foram para o espaço, ignorados

E percebo que a vida é breve e segue em frente 
E o ódio só fere àquele que o sente...

É a sabedoria, que mostra que só o tempo
E o autoconhecimento,

Trazem a leveza ao coração
Quando se conhece o perdão.


Jane Moreira

Tempo de despir, tempo de vestir

MOTE:  "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”
Fernando Pessoa


Tempo de despir, tempo de vestir


E então, sente como é difícil despir
A roupa usada e seguir...

Atravessar a porta desconhecida,
A Alma sozinha, sem a envoltura conhecida

Um mundo de novidade...
Um choque de realidade...

Para seguir na viagem,
Com nova roupagem, mais leve, sem bagagem,

Precisa vencer o medo,
Pois não é castigo e nem é degredo.

Jane Moreira




Outros Quereres

MOTE:  um conto da criação - Candlemass



Outros quereres

Quero ver a inocência, dádiva divina,
Que só enxerga a vida pelos olhos da menina...
Quero vê-la observar a crisálida com interesse infantil
e ver o espanto, porque a borboleta dela saiu e voou, sumiu...

Sei que ela vai imaginar que a borboleta
É uma linda princesa, cuja beleza faz inveja à lua.
Quero ver essa menina, que me fascina,
Com sua fé no que não sabe, no que não vê, mas imagina...

Quero ver mais gente, como essa gente inocente,
Sem desvios, sem parênteses, sem aspas e travessões...
Quero ver a linha reta, franca, direta, sem esquinas, sem curvas...
Sem becos escuros, ou subterfúgios. Sem malícia, sem artifícios, sem vaidade...

Jane Moreira



Poesia Perdida

MOTE:   SONETO DAS ALTURAS


Poesia Perdida
Quando a poesia da mente se ausenta
E se abriga bem longe, no inconsciente,
A ansiedade do bardo, então, aumenta,
Tornando-o um eterno descontente.

Tudo se perde sem seu doce encanto,
Se na alma não existe mais poesia,
Que é do poeta, em tão grande desencanto,
O alimento, fruto de sua magia.

E não se acalma o poeta em desvario,
No desejo incontrolável de criar.
Não há corpo, só há alma em pleno cio.

E a alma insondável em suspenso fio,
Sem ter um verso ao poeta ofertar,
Perde-se no escuro e no vazio.

Jane Moreira