segunda-feira, 9 de maio de 2011

Livre



Livres

Sou como o pássaro na amplidão
Que, livre, viaja no vento
E se afasta da escuridão.

E, pelo vento, deixa-se levar.
Ave solta no vento, que corre violento,
Encrespando as ondas do mar.


Num mundo sem grades
Ele voa e entoa seu canto,
Flanando no ar,

Assim, vou voando,
Vagando por praias distantes.
Que atinjo em instantes.

E pelo pensamento, me solto no ar,
O pássaro e eu, no tempo a viajar
E limites não há.

Eu não me embaraço, caminho eu traço,
Meu norte eu que fiz. Como pássaro feliz,
Liberto e tão certo de onde chegar.

Não sabemos quando será o pouso
E nem onde será o repouso...
Sou como o pássaro na amplidão...


Jane Moreira



Depois do arco-íris



Cores reunidas, de luzes banhadas,
Expandem-se sobre as colinas
E seguem pelos campos espalhadas,
Cobrindo as flores grandes e pequeninas...

Essas cores brilhantes levam a imaginar
O que, no fundo do meu olhar, revelam,
Da retina à íris, um arco de luz a brilhar
-O momento que meus olhos esperam...

Lá no reino das cores, num canto do mundo,
Espera por mim e, por isso, me aventuro,
Eu sei que está lá meu desejo mais profundo.

E sinto que se esvai a vida que passei no escuro,
E ao chegar lá vou encontrar, num segundo,
Guardado para mim o que eu tanto procuro.


Jane Moreira









Bajulador





Vestiu a máscara da bondade,
Foi amado, bajulado,

Com facilidade,
Aceitou lisonjas,

E toda a sua habilidade
Usou a seu favor.

E seu plano perfeito
Deu frutos, prosperou

Plantou o lisonjeador
E colheu bajulação.


Jane Moreira

Da indizível paixão






Vivi tanto tempo feito menina,
Sem saber minha direção.
Hoje, só o que me desanima,
É não conhecer a paixão.

A paixão que todos dizem
Ser o leme e a direção,
A paixão que outros dizem
Ser causa de perdição!

Não posso descrever...
O que sentirei ao descobri-te,
Talvez seja a razão de viver.
Pode ser a razão de morrer.

Qual Penélope, na espera,
Vivo tecendo ilusões...
Quem sabe a paixão aparece
E me cobre de emoções?


Jane Moreira