segunda-feira, 9 de maio de 2011

O grito


O Grito

Noite escura, eu grito um nome...
Responde-me a chuva fina
Que, como uma leve cortina,
Cai sobre a vastidão.

E o chão recebe a água,
Assim a recebe o mar,
Como colo de quem canta
Uma cantiga de ninar...

Então, passo a imaginar
Que o vento também canta
Em dueto, somente 
Para me consolar...

E a chuva chama o vento,
Que me traz, nesse momento,
De volta o nome gritado,
Como um eco do passado.

E chove mais forte agora.
Pode ser que, nessa hora,
Seja chuva de renovação,
Ou meu grito de libertação.

Meu grito pode ficar latente
Sufocado e tão doente,
Que, se morrer, pode ser
Que eu continue a viver.



Jane Moreira






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