quinta-feira, 5 de maio de 2011

MEDO


MOTE:
Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço,
Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... Desperta no febril delírio,
— Olhos pisados — como um vão lamento,
Tu perguntaras: que é da minha coroa?...
Eu te diria: desfolhou-a o vento!...

Casimiro de Abreu





MEDO

Não te esquives, não te escondas
por arderes em  desejo.
Pois que ardes em segredo
queimando, escondendo o medo.

E, fingindo frieza,
diante da delicadeza,
não ousas revelar
do amor a sutileza.

O medo tolhe-te a ação.
Pensas na rejeição,
Pensas na tentação,
Pensas demais...

E a paixão não consumada,
que em teu peito arde,
por desvelo à tua amada,
vai consumir-te mais tarde.


Jane Moreira



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