sexta-feira, 6 de maio de 2011

Retirantes



A família se retira
para longe do sertão...
Não sabe o pai ainda
para onde os ventos os levarão...

Fogem da fome, da seca,
e do explorador...
Fogem da colheita não feita,
e do cenário da dor.

Aonde vão esses filhos de Deus?
Para o Sul? Têm medo...
O bebê tem fome... A mãe tem o seio
já todo espichado, o rosto marcado
pela provação e o semblante da resignação.

Pobre gente do sertão,
com seus dedos, muitas vezes,
cavam buracos no chão:
Não é cova de plantação,
É cova de separação.

Pobres seres desgrenhados,
desprezados e esquecidos...
O corpo todo marcado
das cicatrizes do agreste.

A mãe reza baixinho:
Água, ao menos, um pouquinho,
para matar a sede do menininho...

E seguem atrás da salvação,
de um pouco de atenção,
ou da solidariedade...
Da responsabilidade de uns,
da sensibilidade de outros...


Jane Moreira






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