sábado, 12 de maio de 2018

A dança das horas




A dança das horas

Dançam as horas na imensidão.
Sem pressa, no bailado das horas,
O tempo é só nossa convenção...
Só existe o momento, o agora.

E, por toda aquela imensidão,
Horas dançantes, em sintonia,
Pela eternidade dançarão,
No espaço onde reina a harmonia.

E o ponto azul, desprotegido,
Gira e rola, solto no espaço.
É solto e também é cativo,

Onde horas marcham em compasso,
Ditando o tempo, que é coercivo,
Já não dançam, cativas no passo.


Jane Moreira


domingo, 22 de abril de 2018

Fim da Música










No deserto da solidão, nasceu uma rosa,
No vazio de sentimentos, a flor surgiu.
E nem a chuva, que bate na janela, furiosa,
Impediu a esperança que me acudiu...


A solidão seria uma fábrica de tortura,
Não maior, nem menor que a decepção,
Se não encontrasse um pouco de ternura:
Um verso, uma rosa, uma canção...


E então a alma em arrebatamento,
Como se ao paraíso adentrasse,
Faria desses instantes seu alimento.


E, depois, a brisa roçaria de leve a sofrida face,
Numa doce carícia, pretendendo doce momento,
Até a despedida, o mais suave desenlace...

Jane Moreira





Noites perdidas




Noites perdidas

Aquela canção invadiu-me os ouvidos,
Relembrando as risadas, danças sorrisos,
E as belas damas em seus belos vestidos
Vinhos, beijos esquivos, risos e guizos

O poder da canção, o ritmo alucinante
Da música, trilha sonora das paixões,
Criou a visão daquela menina de antes,
Esquecida num canto daqueles salões.

A mágoa do que não vivi, nem esqueci
As noites vazias de solidão latente,
Ardem-me os olhos, dói a alma, sem lenitivo.

Não mais esperança na menina inocente,
Que quis ser, ter, não foi e nem teve incentivo...
Finge agora o riso e a mesma face contente.


Jane Moreira



sábado, 7 de abril de 2018

Meu encontro








Meu encontro


Na candura da singeleza
Encontrei a grandeza;

Na solidão
Encontrei a razão;

Na rude incerteza,
A minha certeza;

No sonho desfeito,
Encontrei o respeito;

No caminho percorrido,
Meu medo vencido,

Ao sentir teu chamado,
Caminhamos lado a lado;

No teu abraço singelo,
A força de um elo.

E, para sempre, unidos,
Mão na mão, pelo amor ungidos.

Jane Moreira


Encontro



 (Inspirado no Poema Meu Encontro (também de minha autoria)

Na complexidade do mais simples,
Encontrei a grandeza que esperei;

No abraço tão singelo,
A força que precisei;

Na solidão, em meio à turba,
Encontrei a essência que procurei;

Na rude incerteza,
A certeza que sonhei;

No golpe da vida, do sonho desfeito,
Encontrei o respeito;

No caminho percorrido e sofrido
 Alcancei, enfim, a paz que almejei.

Jane Moreira




terça-feira, 27 de março de 2018

Canção de outono








Canção de outono...

É o outono para você e para mim,
E percebemos que é o mensageiro do fim...
E é um aviso do que agora me amedronta:
O inverno que vem se desenhando e desponta...

Folhas douradas, ao pé das árvores nuas,
Augúrio de rugas na face, minhas, tuas,
Que, no outono, sem dó, irão se acentuar
E o inverno cruel não vai atenuar...

Nossos cabelos estarão cor de prata,
Reluzindo à luz argêntea do luar.
E nós juntos ouviremos serenatas...

Na viagem pelas estações da vida a amar,
Galgamos mais um degrau nesta sonata:
A existência nesta esfera a nos testar...


Jane Moreira,



domingo, 11 de março de 2018

"Palavras o vento leva”






"Palavras o vento leva”

Promessas sagradas em tom de veludo,
feitas, juradas, por Deus e por tudo...
Promessas de vidro com sabor de mel,
perdendo a validade neste plano, são de papel.

No coração do medo, os olhos de dores
confiam segredos a olhares multicores,
que afastam primaveras coloridas
e inventam invernos desabridos

As doces palavras de mel, levadas pelo vento,
e aqui esquecidas, no eterno continuam valendo.
Flores espalhadas murcham depressa, encanto sutil.

Perdendo o sentido, causando tormento...
Por não cumpridas, caídas no esquecimento,
criando invernos sombrios na alma primaveril.


Jane Moreira







segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Sombra e a Luz











A Sombra e a Luz

A inveja, sombra que atrai a luz,
Para assim poder se projetar,
É a parasita que nos seduz
Para nosso brilho, então, roubar

A inveja, eficiente erva daninha,
É dama que nunca anda sozinha,
Porque o nosso pior inimigo
É o ódio que carrega consigo.

Prestativos e bajuladores,
Nos encantam e, assim seduzidos
Que somos, por tantos adjetivos,

Não enxergamos os males cometidos
Mas, se for retirada a máscara de amores,
Só então, surge a face dos horrores.


Jane Moreira







sábado, 10 de fevereiro de 2018

Eu ouvi







Eu ouvi

Eu ouvi o que você fez,
senti o que você pensou.
As palavras que você não pronunciou
foram as que mais doeram…

Bastou-me, naquele instante,
compreender a essência
e ater-me à transcendência
daquele sentimento gigante.

A palavra tem duas metades:
Nem sempre a metade mente…
Nem sempre carrega a verdade.


Se não me basta o gesto, somente,
é porque não quero a metade.
Eu te quero de corpo e mente.

Jane Moreira

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Alma em festa (soneto livre)


Alma em festa

A lua brilha, cheia, iluminada
E a via Láctea é um véu, onde estrelas tecem seu bordado.
O mar é um gigante, reino de Poseidon, morada da sereia
E a flor é um diamante, com que a Terra se enfeita.


Gosto das ondas do mar, abraçando os rochedos
São crianças e as pedras, seus brinquedos…
E eu, parte dessa grandeza
Da terra, do mar, bela natureza,


Sou alma em festa no azul do mar,
Tendo o sol refletido no lar da sereia
Que cores sugerem magia no ar.



Sou pequeno grão de areia,
Que, com versos, anseia
Tocar de leve, o coração do Universo.


Jane Moreira






sábado, 11 de novembro de 2017

Desejos






Desejos

Desejo
o colorido do amanhecer
e a plena alegria de viver;

Desejo
o milagre do nascimento
e a doçura de um sentimento;

Desejo
a sabedoria de quem envelheceu
e a beleza do que floresceu;

Jane Moreira



Quando as almas se entendem









Quando as almas se entendem

Coisa rara é
o entendimento
das almas:

Quando é perfeito
o comprometimento...

Quando é intenso
o entrosamento...

Quando, às vezes,
não é preciso falar...

Quando, muitas vezes,
basta um olhar...

Coisa rara que acontece,
quando almas se reconhecem.

Jane Moreira


terça-feira, 7 de novembro de 2017

Teus olhos










Olhos profundos, que transpiram beleza
Poderoso mar de ondas verdes a dançar
Ondas mansas, transpirando delicadeza,
Onde me encontro ao neles mergulhar

Olhos leais, magnéticos,
Olhar que sempre me conduz
Verdes olhos profundos, poéticos,
Teus olhos a verterem luz...

Teus olhos sinceros, amorosos
Sempre derramando alegria e gentileza
Mesmo quando são misteriosos...

Se estou alegre ou não, com sutileza,
Eu me abrigo nessas ondas milagrosas,
Porque são elas que me dão a fortaleza.


Jane Moreira



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Desencontro






Desencontro

É nos sonhos que encontro
Quem, na vida, é meu desencontro

E que, sonhando, reencontro

É nos enganos que me dano
Errar é humano

Enganar é leviano.

No silêncio, meu alento,
Meus sonhos alimento

E depois, os afugento.

Neste círculo vicioso
De sonho venenoso,

Acordar é doloroso

E, de tanto sonhar
E de me enganar,

Até me exaustar,

Paro e penso:
Se o desengano é intenso

Meu bom senso é imenso

Nesse intento...
Tudo o que agora tento

É cobrir de azul esse dia cinzento...


Jane Moreira




domingo, 5 de novembro de 2017

De segredos e medos






De Segredos e Medos
Dogmáticos mistérios que resultaram em medo
Por zeladores de uma farsa tramada na hipocrisia.
Por trás de grossas cortinas eram forjados segredos,
Transformando antigos enredos em fantasia.

Quando o poder conquistado se impõe totalmente
E a crença comum é verdade estabelecida,
Quem ousará abrir essas cortinas silentes
E descerrar o véu que oculta a mentira urdida?

Por séculos, o ponto vital foi cercado de mistérios
E poderosos mistérios povoaram o imaginário.
Guardado sempre o segredo, em mãos de impérios.

Não há quem desmascare venerado segredo,
Envolto em mistério, em pompas e circunstâncias,
Que logo se tornou a porta do medo.
Jane Moreira




Como ainda é





Como ainda é

Como se fosse hoje,
O livro sobre a mesa
As rosas, que delicadeza!

O tempo no relógio marcando
Momentos felizes de outrora
Será que ainda é tempo, agora?


Vamos ludibriar o tempo revivendo os belos tempos,

Não mais como se fosse, mas como ainda é?

Jane Moreira




domingo, 22 de outubro de 2017

O que sou










Essa ânsia
Que me invade,
Que me domina,
Que me fascina
E me impulsiona.
É minha vontade,
Minha verdade,
O que sou. (Jane)



Avesso

Avesso


O espelho que me vê nua,
Traduzindo-me impunemente,
Assusta-me com sua realidade crua
E, contra minha vontade, zomba da minha vaidade.

Espelho que, em sua franqueza, mostra seu antagonismo.
Espelho que, em sua crueza, torna-se profundo abismo,
No qual despenco, me vejo pelo avesso e me espanto!
E, no lado de cá, eu me escondo dela, num canto.

Diante dela, lá no outro lado,
Onde vive esse avesso de mim, que me fita, emoldurado,
O que me amedronta é que já não sei quem sou.

Em que tempo eu mesma me tornei meu avesso
E que agora já não reconheço
Essa face assim ferida, impunemente corrompida?
Jane Moreira


sábado, 21 de outubro de 2017

Perfume da paixão











Perfume da Paixão

Ouvia-se o farfalhar dos lençóis
e a sinfonia da cumplicidade.
Despiam-se sussurros
e os mil sóis em luminosidade ...

Sentia-se a lucidez do silêncio
invadir o quarto por inteiro
Onde queimava num canto um incenso
perfumando esse amor - primeiro

Ardia-se a paixão em toques
tão delicados, qual plumas,
flutuando além dos bosques.

Sussurros perdiam-se por entre a bruma
e, na madrugada tão fria e calma,
os amantes despiam suas almas.


Jane Moreira




Cultivando a flor



Cultivando a flor


Perfume das flores, perfume do mar
Por que essa dor a me machucar,
Se lá fora tem calor e sol a brilhar?


Primavera das cores e da pureza do ar!
Dentro de mim, noite escura e o pesar
Flores e cores abundam, aroma sutil a exalar


Lá fora, pessoas cultivam a flor e eu cultivo a dor.


Bastaria uma palavra e eu me vestiria de flor.


Jane Moreira